O que provavelmente você não sabe sobre o tabagismo.


Não é coisa de hoje: o Dia Nacional de Combate ao Fumo foi instituído em 1986 como lei federal (lei 7.488), há 32 anos. E, desde aquela época o tabagismo já era entendido como é até hoje: como um problema de saúde pública.

Mas foi ainda anteriormente que ele começou a ser instrumento de propaganda e disseminado na Europa e nas Américas - desde a Primeira Guerra Mundial, quando era associado a certa sofisticação e hábito elegante praticado pelos soldados.

Já na década de 50 começaram a aparecer algumas pesquisas científicas que demonstravam preocupação com o avalanche que a indústria do tabagismo foi trazendo rapidamente. Aqui no Brasil quem ganhou destaque pela luta anti-tabagista, demonstrando os malefícios e o aumento do risco de câncer e outras doenças, foi o pesquisador e professor José Rosemberg.

A seguir, ele mesmo explica como conseguiu engajar a classe médica brasileira nessa luta e a sua relação direta com o Dia Nacional de Combate ao Fumo, veja só que curioso:

Como médico, sabia que o cigarro era mortal, mas não dedicava tanto tempo a divulgar essa informação, porque minha especialidade é a tuberculose. Todavia, em 1970, um amigo dinamarquês, que era presidente e diretor da Organização Mundial de Saúde, me pediu para divulgar na classe médica a importância do combate ao tabagismo, uma vez que a OMS pretendia lançar o primeiro Dia Mundial de Combate ao Tabagismo.

Atendendo ao seu pedido, consegui aprovar a primeira Semana Universitária Antitabágica na PUC/SP, que se transformou num grande fórum de discussão a respeito desse tema.

Nessa ocasião, escrevi um artigo de mais ou menos 20 páginas sobre tabagismo e coloquei numa gaveta. Quando o reli, vi que ele não convenceria nem mesmo os médicos interessados no assunto. Redigi, então, uma monografia que foi publicada no primeiro número especial da revista da PUC/SP.

A essa publicação seguiu-se “Tabagismo: Sério Problema de Saúde Pública”, laureado pela Academia Nacional de Medicina, o primeiro livro científico brasileiro sobre o tabaco como grave problema de saúde pública. Daí em diante, tenho me dedicado a campanhas de esclarecimento junto à classe médica a respeito do tabagismo. (Fonte 1).

Em 2013 a Associação Médica Brasileira (AMB) publicou um documento intitulado “Evidências Científicas sobre Tabagismo para Subsídio ao Poder Judiciário”, com o objetivo declarado de disponibilizar informações atualizadas sobre os vários aspectos relativos ao tabagismo a fim de subsidiar o Poder Judiciário em suas decisões nesse campo da Saúde Pública. Ou seja, dar meios científicos comprovados para poder agir na sociedade civil sob este aspecto.

Neste documento há uma classificação muito importante a respeito de como identificar um dependente, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria, sendo considerado aquele que apresentar três ou mais sintomas destes sintomas dentro de um período de doze meses:

A – forte desejo ou senso de compulsão para consumir a substância (fissura ou craving);

B – dificuldade em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de seu início, término e níveis de consumo (padrão de uso compulsivo);

C – estado de abstinência fisiológica quando o uso da substância cessou ou foi reduzido, como evidenciado por: síndrome de abstinência para a substância ou o uso da mesma substância (ou de uma intimamente relacionada) com a intenção de aliviar ou evitar sintomas de abstinência;

D – evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas;

E – abandono progressivo de prazeres e interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa, aumento da quantidade de tempo necessária para se recuperar de seus efeitos;

F – persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de consequências manifestamente nocivas. Deve-se fazer esforços claros para determinar se o usuário estava realmente consciente da natureza e extensão

do dano (síndrome de dependência). (Fonte 2).

Os dados a respeito da quantidade de pessoas dependentes de cigarro no mundo são realmente alarmantes: 1,3 bilhões de pessoas, considerando apenas as com idade superior a 15 anos de idade - um terço da população global. Destes, 70% estão em países ainda em desenvolvimento e 250 milhões (19,2%) são mulheres.

Anualmente são consumidos cerca de 7,3 trilhões de cigarros, correspondendo a 20 bilhões ao dia. É muita coisa, mesmo.

As principais doenças relacionadas ao consumo do tabaco são as cardio-respiratórias, seguidas de derrames e dos casos de bronquite crônica. Há ainda um fator de risco que muitas vezes é esquecido quando se trata deste assunto: essas doenças deixam o pulmão mais vulnerável às infecções viróticas e bacterianas como gripe e tuberculose. E 90% dos casos de câncer de pulmão são provocados pelo tabaco:

Por causa da diminuição da capacidade imunológica dos macrófagos (células que garantem a imunidade) que o tabaco provoca, 90% dos cânceres de pulmão são causados pelo tabaco e os 10% de não fumantes que contraem a doença são fumantes passivos. E tem mais: todos os outros tipos de câncer têm a incidência aumentada entre 30% e 50% nos fumantes. Portanto, casos de câncer de boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rins, bexiga, leucemia mieloide e, nas mulheres, câncer de colo do útero e de mama, estão aumentando nas pessoas que fumam.

São dados expressivos que indicam uma realidade conhecida por todos nós, mas ignorada por muitos: o fumo não diz respeito só a quem fuma, mas a todos. E é preciso saber bem todos os riscos que se corre e que se expõe aos outros.

Combate ao fumo: uma ação de constância.

Fonte:

http://diretrizes.amb.org.br/ans/tabagismojudiciario.pdf

https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/tabagismo/

#fumo #cigarro #saúdepreventiva

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