O que muito não se sabe sobre a queda de cabelo.


Costumo lembrar, nestes meus longos e árduos anos trilhados na endocrinologia, que, de alguma maneira, o sistema endócrino é um tanto quanto “esquecido”.

Quando aparece algum problema de saúde, dos mais variados tipos, a esmagadora maioria das pessoas se lembra logo dos “grandes grupos” da medicina. Vou dar uma exemplo prático para ficar mais fácil de entender: se uma pessoa da família se queixa de fadiga, cansaço extremo, dores musculares, etc, quem é que vão indicar para ela procurar?

Normalmente associa-se a ideia de problema no coração (cardiologia), depressão ou alguma outra síndrome (psiquiatra), ou algum mau funcionamento físico (ortopedista).

Veja bem: essas áreas são fundamentais. Todas as áreas da medicina são, isto é óbvio, mas, muitas das vezes, pode ser um problema hormonal e é verdade que pouca gente se lembra dele.

É também o caso da calvície. Não raro, associado a estresse, cansaço (você já percebeu que a nossa sociedade hiper-valoriza o descanso, como se qualquer probleminha que aparece fosse resolvido se a pessoa “descansar?), etc, mas o que provavelmente pouca gente saiba é que a alopecia tem grandes chances de ser um disturbio hormonal.

Alopecia é o nome na literatura médica que abarca todo o tipo de ausência ou queda de cabelo e pelo - em qualquer parte do corpo humano e em qualquer proporção. O termo tem origem grega da palavra alopekia que significa pelada.

Popularmente é o que chamamos de calvície configurada como o afinamento ou perda progressiva de cabelo que pode acontecer em qualquer idade.

Os cabelos são anexos que recobrem a cabeça e a protegem

da exposição solar. A haste capilar conhecida como cabelo

cresce a partir de cavidades chamadas de folículos, que se

estendem da derme para a epiderme. (Fonte).

Há várias etapas do crescimento do cabelo, que não precisamos falar, e, como todos nós sabemos, trata-se de um importante elemento estético.

Existem quatro grandes grupos principais de tipos de alopecia: alopecia androgenética (AAG), alopecia areata (AA), alopecia frontal fibrosante (AFF) e eflúvio telógeno (ET).

Cada tipo tem as suas peculiaridades e estudos específicos de caso, mas, hoje, para nós, cabe falar sobre a relacionada diretamente aos hormônios - a Alopecia Androgenética.

É quando há participação dos hormônios esteróides e andrógenos. Estes atuam no interior dos folículos especialmente durante a puberdade e podem levar a diminuição da fase anágena, que é a fase natural de crescimento do cabelo. É interessante notar que essa ação hormonal só ocorre na região dos cabelos, não interferindo em outras partes do corpo.

Existem outros fatores que desencadeiam a calvície? É claro que sim. Uma febre, por exemplo, pode levar a uma progressão deste estado, ou, no caso das mulheres, o parto. A lista é extensa e matéria de estudo na medicina, mas como expliquei, os hormônios possuem papel significativo neste problema.

E aqui eu deixo o meu alerta: quando a alopecia é desencadeada por um distúrbio hormonal, os tratamentos dermatológicos mais conhecidos como uso de shampoos especiais, remédios e pomadas, auxiliam, mas não resolvem.

Nos casos de disfunção hormonal é só um endocrinologista quem vai poder ajudar, de fato.

Cabelo é porta de entrada. Cuide bem dos seus e, se precisar de ajuda em 2019, conte comigo!

Até breve.

Fonte: http://tcconline.utp.br/media/tcc/2017/05/A-INFLUENCIA-HORMONAL-NA-ALOPECIA.pdf

Dr. Mário Lhano - Endocrinologista e Metabologista CRM 101515, atende há mais de 10 anos e é especialista em dieta vegetariana.

Instagram: @dr.mariolhano

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