O lado negro da Obesidade Infantil: para muito além de excesso de peso.


Quando se fala em obesidade infantil a grande maioria das pessoas faz uma associação quase que intuitiva com crianças “gordinhas”. Ou “muito gordinhas”. Até mesmo porque alguns ainda costumam acreditar que criança acima do peso é “sinal de saúde”.


Não é. E dados de pesquisa atestam isso: segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), 41 milhões de crianças no mundo todo, com menos de 5 anos de idade (CINCO ANOS DE IDADE), estão acima do peso.


Os dados também são alarmantes para a América Latina: 3,8 milhões. Aqui no Brasil a região Nordeste foi a que apresentou maiores índices de sobrepeso e obesidade numa pesquisa realizada em 2013 - 8,4% e 8,5%, respectivamente.


Há muitos e muitos fatores relevantes que dizem respeito a este assunto, mas, aqui, gostaria de destacar um: segundo dados da última Pesquisa de Orçamento Familiar (2008/2009), a curva das crianças residentes em áreas urbanas ultrapassa o padrão internacional de referência, enquanto as crianças da zona rural, no máximo, estão no limite.


Este é um importante indicativo: na zona urbana se consome mais alimentos industrializados em relação à zona rural, onde há maior consumo de produtos orgânicos.


Estamos todos nós cansados de saber que produtos industrializados são repletos de substâncias prejudiciais à saúde, especialmente das crianças que precisam de bons nutrientes para o desenvolvimento: açúcares, gorduras, conservantes, óleos, farinhas, etc.


Mas fica a pergunta: por que ainda muitos pais insistem em manter uma dieta à base de bolinhos prontos, suco de caixinha, biscoitos e salgadinhos ao invés de investir em sucos naturais, sanduíches frescos, frutas e tantos outros alimentos saudáveis?


É claro que este não é a única deriva que desencadeia a doença, há vários outros aspectos que podem estar relacionados:


Pré-natal inadequado: um estudo observou 1.138 lactentes saudáveis por 24 meses e concluiu que crianças recebendo fórmulas com maior teor protéico apresentaram Índice de Massa Corpórea maior nos dois primeiros anos de vida;


Alimentação complementar: é recomendada a partir dos 06 meses de idade. A precocidade na inclusão de outros alimentos que não o leite materno antes do 06 meses é considerado fator de risco para o desenvolvimento da obesidade.


Ganho de peso no primeiro ano de vida: estas possuem 9 vezes mais chances de desenvolver obesidade infantil e 31 vezes mais de serem extremamente obesas na primeira infância;


Alimentação escolar inadequada: estudos indicam que a maioria dos alimentos vendidos em cantinas escolares são obesogênica.


Exercício físico: favorece o desenvolvimento físico, motor, social e psicológico. Há, ainda, especialmente na pré-escola, ausência de programas que atendam suficientemente essa demanda.


Hábitos e crenças: “só um pouquinho não faz mal” e assim uma série de alimentos prejudiciais são incluídos na dieta das crianças pequenas que antes de completar 10 anos de idade já estão totalmente acostumadas com alimentos não saudáveis.


Este é um problema muito claro. Atual. E que está bem à nossa frente. Precisamos encará-lo de frente e fazer o que estiver ao nosso alcance para reverter esta situação e permitir à nossas crianças melhores chances para o seu desenvolvimento.


Costumo dizer que a Obesidade Infantil é uma das doenças de fator irresponsável. Afinal de contas somos nós, pais, educadores e médicos quem devemos cuidar das crianças que ainda não tem consciência de seus atos e escolhas. É preciso escolher por elas.


Façamos, então, a escolha certa. Conte comigo.



Fonte:


https://www.fmcsv.org.br/pt-BR/biblioteca/obesidade-na-pi---observatorio-nacional-da-pi/?s=obesidade&gclid=Cj0KCQjwiJncBRC1ARIsAOvG-a4Lhk590csKS28XQzVuHrHbxSv8XJw3jAYLhaIxBHWlADVsYgyQmKoaAmMLEALw_wcB


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