Será que sabemos o risco real que nossos filhos correm tendo livre acesso aos eletrônicos?


Começa despretensiosamente, aos poucos, sem maiores preocupações: “vou deixar assistir só um pouquinho, que mal pode fazer?”. E, quando menos se espera, os pais já perderam o controle sobre o que e por quanto tempo os filhos ficam expostos aos eletrônicos.

Quando percebem, a coisa já saiu do controle e eles se deparam com um problema: meu filho não sai mais da frente do celular ou tablet e eu não sei mais o que fazer.

Isso é frequente. Muito mais frequente do que podemos imaginar. Um pediatra do Espírito Santo, recentemente, nos relatou inúmeros casos que recebeu em seu consultório de crianças entre 10 e 14 anos envolvidas com pornografia, com comportamento agressivo, viciados em sexo e, até mesmo, com problemas de doenças sexualmente transmissíveis fruto da hipersexualiação estimulada por pornografia. (Não vamos divulgar a identidade do médico a fim de preservar a sua privacidade e a dos pacientes envolvidos).

Há também pesquisas sendo realizadas no mundo inteiro as quais associam o vício aos eletrônicos com casos de autismo e até retardo mental.

É sério. É grave. Além dos casos de tentativa de suicídio, depressão, de crianças que não vêem mais sentido nas suas tão breves vidas, que simplesmente não tem vontade de viver.

Você pode estar se perguntando: tudo isso por conta de um simples eletrônico?

Sim, é. Claro que se as telas forem um recurso controlado, se os pais conseguirem estabelecer limite, tempo e quais os canais podem ser vistos, a coisa não chega nesse nível, mas tudo o que é descontrolado, gera problemas e nem sempre é possível prevê-los.

E não seria diferente com os tablets e smartphones. O psiquiatra Italo Marsili alerta para um efeito causado pela superexposição às telas chamado “deficit efect”. Ele explica que a criança precisa da ajuda de um adulto, de preferência os pais, para fazer o intercâmbio entre o que ela enxerga e a realidade, para que entenda como ela é de verdade e possa diferenciar fantasia de vida real.

Quando as crianças passam tempo demais expostas a estes dispositivos elas não têm este intercâmbio e começam a confundir vida real com fictícia.

Esse efeito, a longo prazo, vai gerando uma série de problemas e dificuldades que depois se tornam cada vez mais difíceis de contornar. Crianças desatentas, que não tem paciência para leitura, para contemplar a natureza, para interagir com outras crianças tranquilamente (tornam-se agressivas), para atividades que demandam concentração como quebra-cabeça e jogos de montar e, especialmente, desinteresse pela vida real.

Qualquer um de nós sabe que isso é verdade. É só frequentar qualquer lugar com muitas crianças, hoje em dia, que sempre há aquelas que simplesmente não interagem. Que passam horas a fio na frente dos eletrônicos, sem nenhum tipo de remorso ou incômodo.

Isso parece natural até chegar na situação drástica cujos efeitos citamos acima.

O desencadeador principal deste processo é o livre acesso. Pode parecer óbvio, mas não é: muitas das vezes os pais acham que sabem exatamente o que os filhos estão assistindo, mas a verdade é que quando eles têm posse de um celular ou tablet, é fácil intuir que eles podem facilmente driblar os acessos quando os pais estão por perto.

Isto é um pouco duro de dizer, mas é verdade: não confie cegamente em tudo o que uma criança diz. Se ela já estiver no caminho do vício pelas telas (é claro que ela não sabe disso) fará qualquer coisa para que você acredite que o que ela está fazendo é inofensivo. É exatamente assim que muitos pais se desligam e não sabem onde e quando perderam o controle da situação.

Todo cuidado e atenção são poucos. Não tenha medo de ser “controlador” demais em se tratando de acesso aos eletrônicos. Seus filhos precisam deste limite que só você pode dar a eles.

Nunca uma geração sofreu tanto com estes problemas, do que a nossa. Que saibamos contorná-la antes que seja tarde demais e se torne uma situação trágica para um século inteiro.

Conte sempre com a Alpha Saúde.

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