O problema da automedicação: porque é importante evitá-la.


O assunto de hoje não é novidade. Todos nós sabemos bem que NÃO É INDICADO O uso contínuo, desenfreado e não indicado de medicamentos.

A Organização Mundial da Saúde já fez campanhas. Órgãos regulamentadores sempre avisam. O uso de antibióticos já teve de ser regulado. Uma série de medidas são sazonalmente tomadas para evitar que as pessoas, de modo geral, continuem a tomar remédios por conta própria.

E por quê?

É tão mais fácil sentir aquela dor de cabeça e logo receber o alívio que o analgésico oferece, não é mesmo? Ou então, usar um “remedinho” para combater aquela “tossinha chata” que insiste em perturbar o sono, certo?

E assim a nossa vida vai entrando num verdadeiro ciclo sem fim de uso de medicamentos que, muitas das vezes, nós nem conhecemos e muito menos sabemos quais são os efeitos colaterais.

Enquanto isso, a indústria farmacêutica continua a lucrar muito, mas muito dinheiro mesmo, todos os dias, tendo como um dos seus pilares de sustentação para o “sucesso” a desinformação e a falta de controle de nossa parte.

Veja, eu não estou criticando o uso de remédios. Como médico, eu nem poderia. Há sim remédios que são essenciais para o tratamento de doenças e, sem eles, muitas epidemias e problemas sérios não poderiam ser contidos. A questão aqui não é o remédio em si, mas o uso descontrolado e desinformado que se fazem deles por uma camada muito expressiva da população.

Uma pesquisa realizada em 2016 pela produção O GLOBO registrou que cerca de 72% da população brasileira se automedica com frequência e usam pesquisa na internet como fonte de consulta para a decisão do que tomar.

Se por um lado há o risco de contraindicações que a pessoa desconhece, alergia e, principalmente, mascarar sintomas que podem indicar um problema muito maior e mais grave (que só poderiam ser descobertos com os exames corretos), por outro há a indústria farmacêutica que, em alguns casos, omite das agências regulamentadoras de saúde, sérios efeitos colaterais e riscos (inclusive morte) a longo prazo que alguns remédios podem esconder como foi o caso, por exemplo, do remédio Vioxx.

Numa velocidade alarmante, inúmeras drogas têm sido retiradas do mercado após liberação. Recalls infelizmente não ocorrem somente com os automóveis.

Como uma droga liberada após exaustivos testes laboratoriais e em animais, após grandes ensaios clínicos que envolvem milhares de pessoas pode às vezes, poucos meses depois da liberação para venda, ser recolhida?

Obviamente há alteração ou omissão dos dados colhidos nos vários testes e ensaios. E esta tem sido a argumentação da justiça dos Estados Unidos para condenar e multar várias empresas farmacêuticas em cifras que se somadas chegam a bilhões de dólares. (Fonte).

Sem falar na “invenção” de novas doenças. Alterações comportamentais, emocionais e até mesmo dificuldade em alguma etapa da alimentação parecem sempre apontar “para um remédio que funciona”. E também no uso de um só medicamento para doenças diferentes que aparentemente nada têm em comum.

Existem pesquisas sérias realizadas todos os anos, especialmente nos Estados Unidos onde o índice efeitos colaterais vem crescendo muito rápido, que apontam diversas irregularidades na aprovação e indicação de remédios.

Veja só: se já é difícil para um médico encontrar os remédios certos para determinada situação de saúde de seu paciente e buscar o mínimo possível de efeitos colaterais, imagina só o perigo que se corre quando uma pessoa toma um remédio sem nenhuma prescrição médica ou informação confiável a respeito do assunto.

“É só um remedinho, não vai fazer mal”.

“É só hoje, depois eu procuro um médico”

“Não vou ao médico por causa dessa dorzinha de cabeça, é só estresse, logo passa”.

E assim, dia após dia, vamos permitindo que nosso organismo receba uma porção de substâncias diferentes que juntas podem causar sérios danos e vamos “levando” assim, até onde der.

É exatamente por isso que aqui na Alpha Saúde a nossa equipe preza muito pela manutenção da vida saudável: muitas doenças e sintomas crônicos poderiam ser evitados se as pessoas cuidassem da sua alimentação, sono, rotina e prevenção. Muitas mesmos. E evitariam, consequentemente, necessidade do uso de remédios.

É um ciclo vicioso, que pode ser barrado desde o seu princípio: buscando bons hábitos.

Conheço pacientes que tomam INÚMEROS remédios, todos os dias, para diversos sintomas. Uma verdadeira “bomba-relógio” para o nosso corpo que logo pode dar os sinais de seu esgotamento.

Não se esqueça de me procurar para colocar os exames em dia e buscar uma rotina diferente. É para isso que estamos aqui, para fazer dos nossos pacientes pessoas felizes e saudáveis.

Até a próxima!

Fonte: Lemos, Artur. Remédios que curam. Remédios que matam. Edição 1.

Dr. Mário Lhano - Endocrinologista e Metabologista CRM 101515, atende há mais de 10 anos e é especialista em dieta vegetariana.

Instagram: @dr.mariolhano

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